Restaurante Ca’d’Oro está de volta com sua cozinha clássica italiana e pratos que fizeram a história do local

Gran bollito misto e o  e Peito de pato alla “Colleoni”

O restaurante está instalado no térreo do novo Hotel Ca’d’Oro, que acaba de reabrir no mesmo endereço – Rua Augusta, 129 –, mas totalmente repaginado, por meio  de parceria entre a família Guzzoni e a incorporadora Brookfield

No menu, estão pratos como Casoncelli alla bergamasca, Fettuccine al triplo burro, Gran bollito misto alla Piemontese e Peito de pato à “Colleoni

Um ícone da hotelaria e da gastronomia paulistana está de volta. O Ca’d’Oro acaba de reabrir ao público no mesmo endereço, mas completamente remodelado. Instalado na Rua Augusta, 129, região central da cidade, o novo hotel é uma parceria da Brookfield Incorporações e da Família Guzzoni, que há mais de 60 anos inaugurou o Ca´d´Oro.

Sua história teve início com o imigrante italiano Fabrizio Guzzoni (1920-2005), que deixou a cidade de Bérgamo e o comando do Grand Hotel Moderno, fundado por seu pai, Aurelio, em 1922, para construir no Brasil o seu próprio hotel de luxo. Mas antes do hotel, veio o restaurante, que abriu as portas em uma das mais imponentes ruas de São Paulo na época, a Barão de Itapetininga, em 13 de julho de 1953 – mas por superstição da família, a data oficial ficou registrada como 14 de julho. O nome foi sugerido pela sogra de Guzzoni, que havia visitado em Veneza o palácio Ca’d’Oro (“Casa de Ouro” em dialeto local), uma construção do início do século XV, que hoje funciona como um museu.

O restaurante introduziu no país uma cozinha até então pouco difundida por aqui, a do norte da Itália, especialmente da região que compreende o Piemonte, Lombardia, Vêneto e Ligúria. Seu cardápio apresentou a clientes paulistanos iguarias como a bresaola e o presunto de Parma, e receitas originais italianas, como os risottos e o tradicional carpaccio. Outro mérito da casa foi ter transformado a caipirinha, até então uma bebida de “botequim”, em um drinque de respeito e sucesso nacional e internacional.

Novo restaurante e a gastronomia italiana clássica de sempre 

 Casoncelli alla bergamasca e a Casssata Ca’d’Oro

 O restaurante Ca’d’Oro foi instalado no piso térreo do novo hotel. Com 90 lugares, o espaço se divide em dois ambientes, o salão de paredes espelhadas e a varanda envidraçada, de frente para a Rua Augusta. O mobiliário é clássico e destaca a madeira, presente tanto no piso do salão quanto nas mesas, que são acompanhadas de sofás e poltronas em tons de verde e cru.

O piano francês Erard, de 1870 – único do Brasil em perfeito funcionamento –, em madeira marfim e “marchetaria”, retorna ao restaurante, assim como outras obras de arte que decoravam o antigo Ca´d´Oro. Entre elas, a “Estátua equestre de Bartolomeo Colleoni”, réplica em bronze da original de Andrea Verrochio, existente em Veneza, e a tela “Bacco”, de Giulio Carpioni (1611-1674), pintor veneziano, considerado um dos mestres do Setecentismo.

No cardápio estão muitos dos pratos que fizeram a história da casa. Ele foi desenvolvido por Fabrizio Guzzoni, quarta geração da família no ramo da hotelaria e neto do fundador do Ca´d´Oro. Gerente geral do novo hotel, ele se dedica ao negócio da família desde 2000, tendo trabalhado dois anos com Giancarlo Bolla no La Tambouille, durante o período de reconstrução do local. A cozinha está a cargo de Ednaldo Barreto Reis, que entrou para a equipe em 1994 como aprendiz até chegar ao posto de chefia.

Estão de volta receitas como Casoncelli alla bergamasca, massa com recheio de vitelo e codeguim e toque de amaretto (R$ 69), Quaglie alla bergamasca con polenta, codornas recheadas com pancetta e ervas (R$ 74), e o Fettuccine al triplo burro. Criado pelo restaurante Alfredo, de Roma, originalmente como al doppio burro, o prato ganhou dose tripla de manteiga na versão dos Guzzoni, sendo cozido no consommé e servido com creme de leite e parmesão (R$ 65).

Outros dois pratos tradicionais do Ca’d’Oro não ficaram de fora. O Anitra alla “Colleoni, peito de pato em crosta de ervas, com aspargos, purê de batata e três figos empanados (R$ 74), é um deles. Trata-se de uma homenagem ao mestre das armas e da guerra Bartolomeo Colleoni, cuja virilidade era atribuída a uma triorquidia de nascença. Ele se orgulhava de seus três testículos, daí os três figos que compõe o prato. A outra receita é o Gran bollito misto alla Piemontese, um cozido de carnes e legumes variados (R$ 85), que chega ao salão em um carrinho réchaud especial. Inexistente no Brasil à época do lançamento do prato, 1956, o acessório foi encomendado a uma metalúrgica que fabricava carrinhos de bebês. Carnes como músculo, frango, língua e zampone, cozidas separadamente em um consommé, são acompanhadas por batata, cenoura e repolho, entre outras opções, que incluem três tipos de molho feitos na casa, como a Mostarda de Cremona. Outro carrinho, sempre em exposição no salão e usado em ocasiões especiais para o serviço de assados, é um modelo Christofle, em prata, fabricado em 1940.

Entre as sobremesas, o clássico Tiramisù, com mascarpone, amaretto, café e chocolate (R$ 28) e as Cassate Speciali, cassatas de sorvetes da casa – crocante, menta com chocolate e Ca’d’Oro com frutas cristalizadas (R$ 26).

No classudo bar do Ca’d’Oro, instalado entre o lobby e o restaurante, uma imponente adega de vinhos climatizada tem espaço para mil garrafas – a carta tem 130 rótulos, com destaque para produtores italianos e do Velho Mundo. Nas noites de terça a sábado e no almoço de domingo, música ao vivo, com um pianista tocando no raro Erard.

 

Hotel Ca’D’Oro

Apartamento superior e lobby do hotel

 O novo Hotel Ca´d´Oro integra um complexo de conceito mixed use formado por duas torres construídas e incorporadas pela Brookfield, com projeto arquitetônico de José Lucena, arquitetura de interiores e conceito de Patricia Anastassiadis e paisagismo de Benedito Abbud.

Uma torre é residencial, com 374 unidades de 1, 2 e 3 quartos. A outra, de 27 andares, é comercial, com 387 salas de escritórios e as dependências do hotel, com entradas independentes. No térreo, ficam a recepção, bar e restaurante do hotel, no 1º piso, seis salas de evento, e na cobertura de vista panorâmica, a piscina, sauna e fitness center.

Os 147 apartamentos de 26 a 56 metros quadrados estão distribuídos entre o 19º e o 26º andar. São três tipos de unidades, superior, suíte júnior e suíte executiva, com diárias a partir da R$ 430 (não inclui café da manhã). Todos os apartamentos têm varanda e são equipados com cama queen, minibar, máquina de café Nespresso, dock para iPod/ iPhone e wifi gratuito.

A arquitetura moderna do edifício destaca formas arredondadas e o volume recuado dos últimos andares. A concepção do hotel remodelado no topo da torre apresenta um simbolismo: a cidade pode contemplar o ícone e os hóspedes, por sua vez, são presenteados com uma ampla vista da região central de São Paulo, conseguindo observar a Avenida Paulista, Praça Roosevelt, Igreja da Consolação, o Edifício Altino Arantes (“Prédio do Banespa”) e outros marcos da capital.

 

Restaurante Ca’D’Oro

Endereço: Rua Augusta, 129, Consolação – São Paulo

Telefone: (11) 3236-4300 | Site: www.cadoro.com.br

Horário de funcionamento: segunda a quinta, das 12h às 15h e 19h às 23h, sexta e sábado, das 12h às 15h e 19h às 23h30, e domingo das 12h às 15h30 e das 19h às 23h

Piano ao vivo: terça a sábado, das 19h às 23h. Domingo, das 12h às 15h30;

Lugares: 90 | Taxa de rolha: R$ 95 | Estacionamento com manobrista: R$ 25

Acessível para pessoas com deficiência | Wi fi gratuito

 

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