ABSINTHE: exposição transforma atelier da A MODISTA em galeria para fotografias

Oscar Wilde, Ernest Hemingway e Van Gogh. Alguns na literatura, outro na pintura, nomes facilmente assimilados por suas reconhecidas obras de arte. Em comum, o hábito de influenciar-se criativamente por doses de absinto. É de Oscar Wilde o verso que diz: After the first glass of absinthe you see things as you wish they were. After the second you see them as they are not. Finally you see things as they really are, and that is the most horrible thing in the world. I mean disassociated (Depois do primeiro shot de absinto você vê as coisas como gostaria que fossem. Depois do segundo, você as vê como não são. E finalmente, vê as coisas como realmente são, e isso é a coisa mais horrível do mundo. Dissimuladas). E é com a inspiração voltada a essas afirmaçõe do escritor irlandês que A MODISTA apresenta em seu atelier a exposição ABSINTHE, com fotos de Gleeson Paulino. No dia 20, a exposição completa e ambientada poderá ser prestigiada, e estará disponível para visitação em versão adaptada nos dias 21, 24, 25 e 26 de fevereiro.

ABSINTHE é a primeira expressão do projeto A MODISTA – ART, que pretende prestigiar outras áreas além do vestuário, valorizando e dando espaço a diversas manifestações artísticas. Explorando o conceito orgânico da fotografia, a luz natural e os efeitos que podem ser obtidos por meio dela, o fotógrafo Gleeson Paulino introduziu nas imagens seu inquietamento em relação à iluminação, proveniente de suas incursões a museus europeus na temporada em que morou em Viena e Londres. “Nas pinturas, uma das coisas que me intriga muito é a questão da luz. Eu tinha uma dúvida imensa, um estranhamento de como era possível conseguir aquilo por meio da pintura. Foi isso que busquei trazer para minhas fotografias. Essas imagens da exposição, por exemplo, não sofreram edições, a técnica foi obtida apenas com experimentação e luz natural”, conta Gleeson.

Nas 13 imagens dispostas pelo atelier, a sensação de viagem no tempo é inevitável. Os espaços ambientados com objetos, móveis e tecidos funcionam como bilhete para uma época indeterminada, um destino ocupado por retratos perdidos do Renascimento, em uma atmosfera de fumaça embriagante. As ninfas sedutoras e irreais, esquecidas em um passado remoto, são retratadas como em pinturas, sob a ótica de uma visão turva e imprecisa. “As imagens podem ser percebidas com esse filtro romântico, como aquele resultante do efeito do primeiro shot do absinto, e a ideia da A MODISTA é justamente essa de viagem no tempo. Por outro lado, depois do segundo e terceiro shot, percebemos a fantasia de cada um e a realidade em si, que não é bonita e nem romântica”, explica Gisele Dias, idealizadora e fundadora do atelier A MODISTA.

A ideia das fotos surgiu despretensiosamente, em uma conversa informal entre os já parceiros Gisele e Gleeson – o fotógrafo é responsável pelas fotos da marca, que unem perfeitamente seu estilo com a estética das peças da A MODISTA. A série de fotos aconteceu no próprio atelier e o resultado surpreendente tomou forma de exposição.

A atmosfera sonora é de autoria de Eduardo Beu, que usou uma mistura de inspirações estéticas para alcançar a trilha perfeita. O cenário imaginado foi uma exposição na qual os convidados seriam alguns dos mais célebres consumidores de absinto, como Baudelaire, Picasso e Edgar Allan Poe.

Serviço:
Exposição ABSINTHE
Local: Atelier A MODISTA (Alameda Tietê 565, Jardins)
Horários: quinta, 20 de fevereiro: 18 às 23h (abertura com exposição completa)
21 de fevereiro: 10 às 19h
24, 25, 26: 11h às 19h
Fotografia: Gleeson Paulino
Make up & Hair: Celso Ferrer
As fotografias, nos formatos 100×80, 80×60 e 60×40 estarão à venda em edição única.

Gleeson Paulino descobriu sua vocação durante um intercâmbio na Europa, em 2005. Na época, com 17 anos, cursava Comércio Exterior. Foi em uma viagem a Viena, na Áustria, que se encontrou e encantou. Desde lá, começou a enxergar poesia e desejar ser artista. Começou a visitar uma infinidade de museus, galerias de arte, palácios. Após essa temporada em Viena, Gleeson mudou-se para Londres, onde sua incursão pelas artes se tornou ainda mais forte. Depois do interesse pela pintura, surgiu a vontade de estudar a história da fotografia e aprofundar-se no assunto. Seu trabalho preza pela fotografia em sua forma mais orgânica, sem muitos equipamentos e nem uso de flash, com elementos do cotidiano. Em 2008, ainda em Londres, participou do projeto Favela Chic e percebeu a fotografia como carreira. Em 2011, voltou ao Brasil, onde fotografou diversas campanhas para o estilista João Pimenta.  Em 2012, conheceu o trabalho da A Modista e se identificou com as referências da marca, começando a trabalhar sempre para o Atelier.

Gisele Dias é A Modista. De origem mineira e essência multifacetada, há 16 anos trocou a carreira de designer em Belo Horizonte por uma busca de novas experiências em São Paulo. Há nove, montou o atelier de A MODISTA nos Jardins – em uma casa dos anos 1940, restaurada cuidadosamente para transportar suas noivas e clientes a um tempo em que o universo da costura fazia parte da vida cotidiana das pessoas. As principais características de suas peças são o romantismo, a feminilidade, a leveza e a delicadeza. Gisele entende o vestido de noiva como peça que, contando a história de quem o veste, deve celebrar os sentimentos mais profundos e puros.  O projeto A MODISTA – ART veio da ideia de abrir o atelier A MODISTA esporadicamente como galeria, a fim de explorar outras áreas além do vestuário, oferecendo um pouco do que serve como inspiração diária para a criação de suas peças.

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