Monalisa Underwear, do jovem dramaturgo Guilherme Junqueira, estreia no Teatro Cemitério de Automóveis, em SP

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Primeira peça de uma trilogia, Monalisa Underwear, do paulista de 24 anos, Guilherme Junqueira, reúne elementos urbanos do baixo Augusta para falar de vícios, paixões e questões existenciais, a partir do dia 12 de abril

Uma espécie de trilogia dos 27 anos, com personagens femininas que flertam com a morte e a ideia de perder a vida antes dos 28, assim como tantos ídolos do rock. A peça Monalisa Underwear marca a estreia do jovem dramaturgo Guilherme Junqueira, nos palcos, assinando texto e direção. Em curta temporada, de 12 de abril a 4 de maio, no Teatro Cemitério de Automóveis, de Mário Bortolotto, o espetáculo é a primeira das três histórias que integram o novo livro de Junqueira, Intrigas Augustas. 

“Não se pode tirar uma pessoa do inferno, sem entrar no inferno dela também”. A fala do renomado escritor, Lagash (Haroldo Costa Ferrari), personagem central da trama que, ao lado de Mona Hard (Lara Giordana), uma jovem diva underground, embarca numa viagem sombria entre delírios e fantasmas do passado, reflete muito do que o texto traz ao palco: vícios, paixões e o emaranhado de questões existenciais que assombra as personagens o tempo todo. 

“Assim são os escritores, vampiros da vida da gente”, diz Nefasto (Fred Steffen) em outro momento. Entre tiradas irônicas e um cenário tipicamente urbano, ele e Dallas (Lu Vitaliano) entram e saem de cena, revezando-se entre diálogos áridos e embates emocionais que transitam nos limites entre o bem e o mal. 

“O teatro é um agente transformador e o público deve ser transportado para o universo que está sendo apresentado”, diz Junqueira. “A vida é a matéria prima dessa criação, a vida e seus caminhos misteriosos entre as trevas e a loucura de uma cidade”, completa. 

As outras duas histórias que integram o livro Intrigas Augustas também devem ganhar adaptação para o teatro. Em ambas, uma personagem feminina tenta sobreviver à lenda dos 27 anos. Para compor as narrativas para o teatro, Junqueira cita duas referências: Nelson Rodrigues e Plínio Marcos.

Monalisa Underwear de Guilherme Junqueira
Estreia: dia 12 de abril (para convidados)
Temporada: de 12 de abril a 4 de maio
Sextas e sábados, meia-noite
Teatro Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384 – Bela Vista)
Ingressos: R$20 (meia-entrada: R$10)
Texto e direção: Guilherme Junqueira
Elenco: Haroldo Ferrari, Lara Giordana, Lu Vitaliano e Fred Steffen
Trilha original: Kas Dub
Cenografia e figurino: Osalquimistas
Operação técnica: Pablo Perosa e Ademir Muniz
Produção e fotografia: Gisela Schlögel

Sinopse: Monalisa Underwear é uma das três histórias do livro Intrigas Augustas, a primeira a ser adaptada para os palcos. Nela, Lagash, um renomado escritor que nunca se apaixona, se entrega à loucura da sedutora diva underground Mona Hard, a vocalista da banda Serpentes de Medusa e juntos, embarcam numa viagem sombria, cheia de excessos e fantasmas do passado. Os quatro personagens da trama vivem uma espécie de simbiose com a cidade, onde espaço e sentimentos não se distinguem.

Sobre o autor

Guilherme Junqueira tem 24 anos, estudou artes cênicas no Conservatório Dramático Carlos de Campos de Tatuí, sua cidade natal. Desde 2007 em São Paulo, Junqueira atua em diversas mídias, já publicou dois romances, “Suicida Rock`n Roll” em 2010 e “O evangelho segundo a carne” em 2011, ambos pela editora Giostri. No áudio visual já dirigiu e escreveu roteiros para curta metragens, participando de festivais de cinema alternativo por todo território brasileiro. Além disso, mantém uma carreira de desenhista e seu trabalho plástico já ficou exposto em São Paulo. Em 2013, além da primeira adaptação do livro “Intrigas Augustas” (que será lançado junto com a peça) participará de uma antologia de textos do Centro Cultural São Paulo.

 

Sobre o livro “Intrigas Augustas”, por Adriana Zapparoli, escritora

Guilherme Junqueira conquista por seu humor ácido, palavrões e mortes em estilo underground. O autor consegue personificar os níveis mais baixos da existência. Possui um estilo direto e forte e descreve de forma verossímil a degradação humana. Os seus personagens encaram os acontecimentos bizarros e incomuns com muita naturalidade nessas histórias. Um livro curto e com um ritmo frenético, que pode ser lido em poucas horas. As histórias ainda trazem seguimentos em prosa-poética quando avaliados no conjunto da obra. Poética que conta a paixão, o amor, o sexo, as relações turbulentas, as drogas e o calvário do subemprego, transformando a matéria do cotidiano em arte e poesia com alto teor crítico.

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